Terapia Psicológica: para que serve? Quando é indicada?

Terapia Psicológica

Muitas pessoas se perguntam sobre a utilidade da psicoterapia. Afinal, há ainda muito preconceito e desinformação em torno desse tipo de tratamento. 

Para que você conheça mais sobre o funcionamento da terapia psicológica, hoje falaremos um pouquinho sobre os objetivos do tratamento e quando ele é indicado, lembrando que qualquer dúvida específica pode ser esclarecidas por DM ou nos comentários!

Objetivos da psicoterapia

Antes de mais nada, é preciso destacar que a maior parte das pessoas pode se beneficiar com a terapia psicológica, porque todos nós temos questões que podem ser melhor elaboradas e compreendidas. Ou seja, terapia não é “coisa de maluco” nem apenas para quem está em profundo sofrimento. 

Assim, podemos dizer que o principal objetivo da terapia psicológica é o autoconhecimento. Por meio desse processo, o paciente se torna capaz de entender melhor a conexão entre seus pensamentos, suas emoções e suas ações. Além disso, a ajuda de um psicólogo pode contribuir significativamente para sua qualidade de vida. 

Por tudo isso, é fundamental ter em mente que procurar um/a psicólogo/a não é errado, nem significa que você está doente. 

Quando a terapia é mais indicada? 

Ainda que todas as pessoas possam se beneficiar com a psicoterapia, existem situações em que o tratamento é fundamental. Veja alguns motivos para procurar a ajuda de um/a profissional:

  1. Luto ou perdas importantes (como separação, ou demissão de um emprego de longa data);
  2. dificuldades de relacionamento em diferentes esferas da vida, seja com a família, amigos/as ou cônjuges;
  3. Depressão;
  4. Estresse;
  5. Insegurança;
  6. Fobias (medos extremos e debilitantes)
  7. Pânico (ansiedade extrema e crises com sintomas físico);
  8. Oscilações de humor rápidas e/ou frequentes;
  9. Transtornos perceptíveis relacionados a diferentes comportamentos; 
  10. Problemas sexuais;
  11. Doenças psicossomáticas, ou seja, causadas por motivações psicológicas; 
  12. Dificuldade de aprendizagem (sobretudo em crianças e adolescentes)
  13. Inabilidade para lidar com mudanças; 
  14. Quando pessoas próximas relatam preocupação. 

Vale ainda salientar que a psicoterapia é um tratamento longo, que requer envolvimento de ambas as partes, abertura e empenho. Não se trata de uma solução mágica para os seus problemas e o/a psicólogo/a não terá respostas rápidas para as suas questões. 

Fontes:

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/por-que-procurar-um-psicologo/19562
https://rsaude.com.br/videos/materia/psicoterapia-o-que-e-e-para-que-serve/13272

Medicalização da vida: nem tudo é doença e nem tudo pode ser resolvido com remédios

Medicalização da Vida

Você já ouviu falar no conceito de “medicalização da vida”? Segundo vários especialistas, precisamos refletir sobre o modo com a nossa sociedade lida com as doenças e, principalmente, com o uso de medicamentos. Na perspectiva da medicalização, situações comuns, que fazem parte da vida de todos os seres humanos, são costumeiramente tratadas como doenças ou transtornos. É possível dizer que há um esforço em “normalizar” as pessoas, quase sempre pautado em um padrão impossível de normalidade.

Alguns casos são exemplares para a compreensão da medicalização. Um deles é o amplo diagnóstico e uso de medicamentos para o transtorno de déficit de atenção com ou sem hiperatividade em crianças. Nas últimas décadas, observou-se um aumento mundial no uso  metilfenidato, medicamento usado para o tratamento do TDA e TDAH. Para que se tenha uma ideia, em 2000, foram vendidas 70 mil caixas do medicamento no Brasil; em 2010, esse número cresceu para 2 milhões de caixas. 

Se tantas crianças e adolescentes precisam do medicamento, não estaríamos lidando com um problema normal, que faz parte da vida? De acordo com o Ministério da Saúde: “O diagnóstico do TDAH ou TDA é dimensional, pois envolve padrões de comportamento que são típicos da faixa etária (crianças), bem como questões de fundo social.” (BRASIL, 2018). Por isso, é fundamental que a utilização de medicamentos, nesses casos, só seja feita quando for estritamente necessária. Outras possibilidades de tratamento, como as intervenções sociais, psicológicas e comportamentais podem ser menos nocivas e mais eficientes. 

Com isso, não queremos dizer que doenças mentais não existem, nem precisam ser tratadas. O mais importante é a compreensão de que os medicamentos devem ser usados com cautela, somente em situações em que realmente são necessários. 

É preciso ter em mente que a noção de saúde é muito ampla: mais do que a plena funcionalidade do nosso organismo, ela envolve questões como a felicidade, o bem estar, a autonomia, a capacidade de lidar com problemas, as relações interpessoais e o equilíbrio emocional. Nenhum medicamento te tornará mais saudável se ele comprometer algum desses aspectos. 

Fonte: 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Uso de Medicamentos e Medicalização da Vida: recomendações e estratégias. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/medicamentos_medicalizacao_recomendacoes_estrategia_1ed.pdf (acesso em 26/07/2019). 

Fonte da imagem: Photo by pina messina on Unsplash.

Ansiedade: quando ela se torna um transtorno?

Ansiedade

Qualquer pessoa já se sentiu ansiosa em algum momento da vida: antes de uma entrevista de emprego, às vésperas de uma grande viagem ou antes de ter uma conversa importante com alguém, para mencionarmos alguns exemplos.

A princípio, o sentimento de ansiedade é absolutamente normal e, mais do que isso, tem um papel importante na preparação para situações de risco. No entanto, a ansiedade pode ser entendida como um transtorno quando ela se torna frequente ou desproporcional em relação às situações cotidianas a serem enfrentadas.

De acordo com especialistas, a ansiedade pode ser definida como um

“estado de humor desagradável, apreensão negativa em relação ao futuro e inquietação desconfortável; inclui manifestações somáticas (cefaleia, dispneia, taquicardia, tremores, vertigem, sudorese, parestesias, náuseas, diarreia etc.) e psíquicas (inquietação interna, insegurança, insônia, irritabilidade, desconforto mental, dificuldade para se concentrar etc.)” (SILVA FILHO; SILVA, 2013, p. 31).

Dessa forma, quando a ansiedade passa a criar dificuldades diárias, bem como sintomas físicos, é muito importante procurar a ajuda de um especialista.

Dicas para controlar a ansiedade

Para controlar a ansiedade em situações específicas, algumas dicas simples podem ajudar bastante:

  1. conversar com um amigo ou familiar sobre a situação que está causando angústia;
  2. sair do ciclo de pensamentos negativos com atividades mais práticas, como lavar a louça ou arrumar uma gaveta;
  3. controlar a respiração, respirando de modo rápido e curto por 4 vezes e mais profundamente 1 vez (repetir essa sequência ao menos 4 vezes);
  4. posicionar uma mão na nuca e outra na testa por cerca de 5 minutos.

FONTES:

SANTA CATARINA.Transtorno de ansiedade generalizada: protocolo clínico. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9217-ansiedade-generalizada/file (acesso em 20/06/2019).

SILVA FILHO, Orli Carvalho da; SILVA, Mariana Pereira da. Transtornos de ansiedade em adolescentes: considerações para pediatria e hebiatria. Adolesc. Saude, Rio de Janeiro, v. 10, supl. 3, p. 31-41, outubro 2013. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/8411/1/Transtornos%20de%20ansiedade.pdf (acesso em 20/06/2019).

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/12/ansiedade-que-foge-do-controle-nao-e-normal-e-deve-ser-investigada.html (acesso em 20/06/2019).

Transtorno Dismófico Corporal: precisamos falar sobre essa doença!

O que você vê quando olha no espelho? Para um número significativo de pessoas em todo o mundo, a imagem vista e a realidade podem ser bem diferentes.

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é considerado como uma doença e requer cuidados especiais. Para que você entenda melhor, a dismorfia corporal, como também é conhecido, se define por uma percepção alterada da própria imagem. Na prática, isso significa que a pessoa não enxerga o corpo como ele realmente é (ou como a maior parte das pessoas enxerga).

A percepção alterada pode se restringir a partes específicas ou ao corpo inteiro. Além disso, há um componente forte de insatisfação com a auto-imagem. De acordo com pesquisadores, a doença pode ser descrita como uma preocupação persistente com uma suposta deformidade ou ainda como uma preocupação desproporcional com algum defeito na aparência (NASCIMENTO et al, 2010).

Por isso, a pressão estética que caracteriza nossa sociedade, muitas vezes pautada por padrões de beleza completamente irreais, pode contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

Estima-se que cerca de 2% da população mundial sofra com o problema, o que corresponde, no Brasil, a 4 milhões de pessoas. A doença é mais frequente entre os jovens, na faixa entre 15 e 20 anos.

Qualquer indício do TDC exige acompanhamento com profissionais de saúde para que seja feito o diagnóstico correto e investigue-se as possibilidades de tratamento!

Fontes:

VIDALE, Giulia. Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Veja, 13 de maio de 2016. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/um-transtorno-distorce-a-imagem-que-voce-tem-do-proprio-corpo-poucos-o-conhecem/.

NASCIMENTO, Antônio Leandro et al. Comorbidade entre transtorno dismórfico corporal e transtornos alimentares: uma revisão sistemática. J Bras Psiquiatr. 2010;59(1):65-69. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v59n1/v59n1a10.pdf.

Codependência: conheças os sintomas e possibilidades de tratamento!

Hoje vamos falar um pouquinho sobre a dependência emocional, seus sintomas e principais possibilidades de tratamento.

É normal sentir ansiedade, ciúmes e medo de perder quando estamos nos relacionando com alguém? Será que aquele relacionamento um pouco conturbado já ultrapassou os limites? Como podemos identificar uma relação de codependência ou dependência emocional? Alguns sinais podem ajudar a reconhecer essa condição psicológica, lembrando sempre que todo diagnóstico deve ser feito por um profissional.

O primeiro passo é saber o que é a codependência, também conhecida como dependência emocional. Em termos bem gerais, trata-se de uma condição psicológica, comportamental ou emocional que se caracteriza, como o próprio nome indica, pela dependência excessiva de uma pessoa em relação a outra.

De fato, nenhum ser humano é uma ilha. Desde o nascimento, precisamos do contato com o outro para nos desenvolvermos e, claro, termos uma vida feliz. Assim, segundo o antropólogo Tzevetan Todorov (2014):

“A partir do momento em que passam a viver em sociedade (e isto, em relação ao tempo histórico, quer dizer: sempre), os homens experimentam a necessidade de atrair para si o olhar dos outros (…). Portanto, o outro ocupa uma posição contígua e complementar à minha, e não mais comparável a ela; ele é necessário à minha própria completude” (p. 31).

Contudo, essa relação com o outro pode deixar de ser saudável quando a dependência se torna excessiva. Nesses casos, o sentimento é de que a nossa existência depende inteiramente do outro, muitas vezes a ponto de nos anularmos e abrirmos mão de nossas próprias vontades. Além disso, a necessidade de aprovação, bem como a de controlar o outro também são característicos da codependência e servem de alerta para quem está vivendo um relacionamento desse tipo.

Como identificar a codependência?

Para deixar mais claro, vamos listar os principais sintomas da dependência emocional. Segundo os especialistas Leilanir de Sousa Carvalho e Fauston Negreiros (2011), o indivíduo codependente apresentam características como:

  • Preocupação excessiva;
  • Instabilidade;
  • Impulsividade;
  • Medo;
  • Insegurança;
  • Dificuldade de expressar sentimentos;
  • Incerteza em relação ao futuro;
  • Medo de errar;
  • Culpa;
  • Justificativa para o insucesso;
  • Necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento;
  • Competição e disputa pela razão
  • Oscilação entre afeto, raiva e frustração;
  • Baixa auto-estima;
  • Necessidade em querer mudar o outro e controlá-lo;
  • Ansiedade;
  • Vitimização;
  • Estresse;
  • Indignação;
  • Mágoa;
  • Falta de afeto;
  • Depressão;
  • Abatimento;
  • Mau humor;
  • Decepção;
  • Desespero.

A lista, como você pode notar, é bem extensa, mas não significa que todas as pessoas irão apresentar cada uma dessas características. A presença de várias delas durante um período mais longo pode indicar a necessidade de acompanhamento com um profissional da área de saúde mental para que seja feito o diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado.

Causas e tratamento da dependência emocional

Os casos de codependência podem ser muito diferentes entre si. Por isso, é difícil mencionar causas mais gerais para o problema. As experiências de cada indivíduo podem ser melhor analisadas durante o processo de terapia para que o autoconhecimento possa auxiliar na ruptura com o comportamento nocivo.

Outro detalhe importante é que a codependência pode estar relacionada com outros problemas, tais como estresse, ansiedade e depressão. Dessa forma, o tratamento global, levando em consideração todo o quadro do paciente é o melhor caminho para quem quer viver melhor.

Fontes:

TODOROV, Tzevetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014. CARVALHO, Leilanir de Sousa; NEGREIROS, Fauston. A co-dependência na perspectiva de quem sofre. Bol. psicol,  São Paulo , v. 61, n. 135, p. 139-148, jul. 2011 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432011000200002&lng=pt&nrm=iso> (acesso em  24 de maio 2019).

Fonte da imagem: Photo by Henri Pham on Unsplash