Ansiedade: quando ela se torna um transtorno?

Ansiedade

Qualquer pessoa já se sentiu ansiosa em algum momento da vida: antes de uma entrevista de emprego, às vésperas de uma grande viagem ou antes de ter uma conversa importante com alguém, para mencionarmos alguns exemplos.

A princípio, o sentimento de ansiedade é absolutamente normal e, mais do que isso, tem um papel importante na preparação para situações de risco. No entanto, a ansiedade pode ser entendida como um transtorno quando ela se torna frequente ou desproporcional em relação às situações cotidianas a serem enfrentadas.

De acordo com especialistas, a ansiedade pode ser definida como um

“estado de humor desagradável, apreensão negativa em relação ao futuro e inquietação desconfortável; inclui manifestações somáticas (cefaleia, dispneia, taquicardia, tremores, vertigem, sudorese, parestesias, náuseas, diarreia etc.) e psíquicas (inquietação interna, insegurança, insônia, irritabilidade, desconforto mental, dificuldade para se concentrar etc.)” (SILVA FILHO; SILVA, 2013, p. 31).

Dessa forma, quando a ansiedade passa a criar dificuldades diárias, bem como sintomas físicos, é muito importante procurar a ajuda de um especialista.

Dicas para controlar a ansiedade

Para controlar a ansiedade em situações específicas, algumas dicas simples podem ajudar bastante:

  1. conversar com um amigo ou familiar sobre a situação que está causando angústia;
  2. sair do ciclo de pensamentos negativos com atividades mais práticas, como lavar a louça ou arrumar uma gaveta;
  3. controlar a respiração, respirando de modo rápido e curto por 4 vezes e mais profundamente 1 vez (repetir essa sequência ao menos 4 vezes);
  4. posicionar uma mão na nuca e outra na testa por cerca de 5 minutos.

FONTES:

SANTA CATARINA.Transtorno de ansiedade generalizada: protocolo clínico. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9217-ansiedade-generalizada/file (acesso em 20/06/2019).

SILVA FILHO, Orli Carvalho da; SILVA, Mariana Pereira da. Transtornos de ansiedade em adolescentes: considerações para pediatria e hebiatria. Adolesc. Saude, Rio de Janeiro, v. 10, supl. 3, p. 31-41, outubro 2013. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/8411/1/Transtornos%20de%20ansiedade.pdf (acesso em 20/06/2019).

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/12/ansiedade-que-foge-do-controle-nao-e-normal-e-deve-ser-investigada.html (acesso em 20/06/2019).

Transtorno Dismófico Corporal: precisamos falar sobre essa doença!

O que você vê quando olha no espelho? Para um número significativo de pessoas em todo o mundo, a imagem vista e a realidade podem ser bem diferentes.

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é considerado como uma doença e requer cuidados especiais. Para que você entenda melhor, a dismorfia corporal, como também é conhecido, se define por uma percepção alterada da própria imagem. Na prática, isso significa que a pessoa não enxerga o corpo como ele realmente é (ou como a maior parte das pessoas enxerga).

A percepção alterada pode se restringir a partes específicas ou ao corpo inteiro. Além disso, há um componente forte de insatisfação com a auto-imagem. De acordo com pesquisadores, a doença pode ser descrita como uma preocupação persistente com uma suposta deformidade ou ainda como uma preocupação desproporcional com algum defeito na aparência (NASCIMENTO et al, 2010).

Por isso, a pressão estética que caracteriza nossa sociedade, muitas vezes pautada por padrões de beleza completamente irreais, pode contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

Estima-se que cerca de 2% da população mundial sofra com o problema, o que corresponde, no Brasil, a 4 milhões de pessoas. A doença é mais frequente entre os jovens, na faixa entre 15 e 20 anos.

Qualquer indício do TDC exige acompanhamento com profissionais de saúde para que seja feito o diagnóstico correto e investigue-se as possibilidades de tratamento!

Fontes:

VIDALE, Giulia. Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Veja, 13 de maio de 2016. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/um-transtorno-distorce-a-imagem-que-voce-tem-do-proprio-corpo-poucos-o-conhecem/.

NASCIMENTO, Antônio Leandro et al. Comorbidade entre transtorno dismórfico corporal e transtornos alimentares: uma revisão sistemática. J Bras Psiquiatr. 2010;59(1):65-69. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v59n1/v59n1a10.pdf.

Codependência: conheças os sintomas e possibilidades de tratamento!

Hoje vamos falar um pouquinho sobre a dependência emocional, seus sintomas e principais possibilidades de tratamento.

É normal sentir ansiedade, ciúmes e medo de perder quando estamos nos relacionando com alguém? Será que aquele relacionamento um pouco conturbado já ultrapassou os limites? Como podemos identificar uma relação de codependência ou dependência emocional? Alguns sinais podem ajudar a reconhecer essa condição psicológica, lembrando sempre que todo diagnóstico deve ser feito por um profissional.

O primeiro passo é saber o que é a codependência, também conhecida como dependência emocional. Em termos bem gerais, trata-se de uma condição psicológica, comportamental ou emocional que se caracteriza, como o próprio nome indica, pela dependência excessiva de uma pessoa em relação a outra.

De fato, nenhum ser humano é uma ilha. Desde o nascimento, precisamos do contato com o outro para nos desenvolvermos e, claro, termos uma vida feliz. Assim, segundo o antropólogo Tzevetan Todorov (2014):

“A partir do momento em que passam a viver em sociedade (e isto, em relação ao tempo histórico, quer dizer: sempre), os homens experimentam a necessidade de atrair para si o olhar dos outros (…). Portanto, o outro ocupa uma posição contígua e complementar à minha, e não mais comparável a ela; ele é necessário à minha própria completude” (p. 31).

Contudo, essa relação com o outro pode deixar de ser saudável quando a dependência se torna excessiva. Nesses casos, o sentimento é de que a nossa existência depende inteiramente do outro, muitas vezes a ponto de nos anularmos e abrirmos mão de nossas próprias vontades. Além disso, a necessidade de aprovação, bem como a de controlar o outro também são característicos da codependência e servem de alerta para quem está vivendo um relacionamento desse tipo.

Como identificar a codependência?

Para deixar mais claro, vamos listar os principais sintomas da dependência emocional. Segundo os especialistas Leilanir de Sousa Carvalho e Fauston Negreiros (2011), o indivíduo codependente apresentam características como:

  • Preocupação excessiva;
  • Instabilidade;
  • Impulsividade;
  • Medo;
  • Insegurança;
  • Dificuldade de expressar sentimentos;
  • Incerteza em relação ao futuro;
  • Medo de errar;
  • Culpa;
  • Justificativa para o insucesso;
  • Necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento;
  • Competição e disputa pela razão
  • Oscilação entre afeto, raiva e frustração;
  • Baixa auto-estima;
  • Necessidade em querer mudar o outro e controlá-lo;
  • Ansiedade;
  • Vitimização;
  • Estresse;
  • Indignação;
  • Mágoa;
  • Falta de afeto;
  • Depressão;
  • Abatimento;
  • Mau humor;
  • Decepção;
  • Desespero.

A lista, como você pode notar, é bem extensa, mas não significa que todas as pessoas irão apresentar cada uma dessas características. A presença de várias delas durante um período mais longo pode indicar a necessidade de acompanhamento com um profissional da área de saúde mental para que seja feito o diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado.

Causas e tratamento da dependência emocional

Os casos de codependência podem ser muito diferentes entre si. Por isso, é difícil mencionar causas mais gerais para o problema. As experiências de cada indivíduo podem ser melhor analisadas durante o processo de terapia para que o autoconhecimento possa auxiliar na ruptura com o comportamento nocivo.

Outro detalhe importante é que a codependência pode estar relacionada com outros problemas, tais como estresse, ansiedade e depressão. Dessa forma, o tratamento global, levando em consideração todo o quadro do paciente é o melhor caminho para quem quer viver melhor.

Fontes:

TODOROV, Tzevetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014. CARVALHO, Leilanir de Sousa; NEGREIROS, Fauston. A co-dependência na perspectiva de quem sofre. Bol. psicol,  São Paulo , v. 61, n. 135, p. 139-148, jul. 2011 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432011000200002&lng=pt&nrm=iso> (acesso em  24 de maio 2019).

Fonte da imagem: Photo by Henri Pham on Unsplash