Existem pessoas tóxicas?

Pessoas Tóxicas

A palavra “tóxico” vem sendo usada com bastante frequência para adjetivar pessoas ou ambientes. Quando dizemos que alguém é tóxico, estamos nos referindo a comportamentos que essa pessoa adota e que são aparentemente nocivas para nós mesmos ou para os outros. Mas será que realmente existem pessoas tóxicas? 

O primeiro ponto importante para abordar esse assunto é o maniqueísmo, ou seja, aquela divisão comum das coisas em boas ou ruins. Em uma análise mais aprofundada sobre os seres humanos, podemos notar que ninguém é totalmente bom ou mau. Essas características sempre vão depender do contexto, do momento da vida, das experiências de cada indivíduo, dentre outros fatores. Assim, fica difícil dizer que alguém é tóxico todo o tempo ou com qualquer pessoa. 

Somos seres complexos

Outro aspecto que costuma ser ignorado é que as relações envolvem duas ou mais pessoas. Quando apontamos os erros do outro, muitas vezes acabamos por não ver os nossos próprios equívocos. O mais comum é que todos/as nós tenhamos agido de maneira tóxica com alguém em algum momento. Essa auto reflexão é fundamental para romper com esses comportamentos ou, quem sabe, lidar melhor com eles. 

Na verdade, quando o assunto é o comportamento humano, não existem respostas simples, muito menos categorias fixas. O mesmo vale para as relações que estabelecemos ao longo da vida. Por isso, é muito reducionista dizer que uma pessoa é tóxica, ainda que valha a pena evitar relações em que as trocas não são positivas. 

Como lidar com os comportamentos tóxicos? 

Quando você observa que está numa relação em que o outro adota comportamentos nocivos, é muito importante estabelecer limites, expor o incômodo de maneira clara e, se for o caso, se afastar da pessoa ou da situação específica. No entanto, essa atitude pode ser difícil conforme o grau de proximidade e envolvimento, exigindo tempo e, muitas vezes, ajuda. 

Em nós mesmos, o comportamento tóxico deve ser alvo de reflexão e mudança. Ao notar que seu modo de relacionar com amigos, família, colegas de trabalho e/ou parceiros amorosos é prejudicial, é aconselhável que se busque conhecer as causas desse comportamento. Nunca é demais lembrar que um/a psicólogo/a pode ajudar bastante nesse processo!

Referências:

A MENTE É MARAVILHOSA. Não existem pessoas tóxicas, existem comportamentos tóxicos. Disponível em: https://amenteemaravilhosa.com.br/existem-comportamentos-toxicos (acesso em 29/09/2019).

Você está num relacionamento abusivo? Dicas da cartilha #NamoroLegal

Relacionamento abusivo

Os relacionamentos abusivos são muito mais comuns do que a gente imagina. Segundo dados da pesquisa Visível e Invisível, publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2019, 27% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência no ano passado. Entre as mulheres mais jovens, na faixa entre 16 e 24 anos, 42% afirmam ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses. O mais apontado pelas entrevistadas é a ofensa verbal (insulto, humilhação ou xingamento), como 22% dos episódios de violência denunciados pela pesquisa. 

Exatamente por causa desses números alarmantes, o Ministério Público de São Paulo decidiu elaborar uma cartilha, voltada para mulheres jovens, com informações importantes para evitar um relacionamento abusivo. A Cartilha #NamoroLegal traz sete dicas para você identificar se está num relacionamento problemático. 

Dica 1: Confiar na atitude e não em palavras

Pode parecer algo simples, mas muitas vezes as palavras e as atitudes se contradizem. Um namorado que diz coisas românticas e carinhosas pode, ao mesmo tempo, agir de forma violenta, explosiva e autoritária. Nesses casos, as atitudes devem ser levadas em conta, ainda que as palavras digam outra coisa. 

Dica 2: Não abrir mão do seu espaço

A cartilha enfatiza também a importância do próprio espaço, seja ele físico ou emocional. Na prática, isso significa que você não deve abrir mão dos seus amigos e amigas, família, atividades de lazer, estudo ou trabalho por causa de ninguém. Esse espaço é fundamental para que você se mantenha conectada consigo mesma!

Dica 3: Ninguém precisa ser a “namorada ideal”

Listas que elencam os atributos da namorada ideal se baseiam em estereótipos infundados. Por isso, o mais importante é que você se mantenha fiel às suas escolhas e àquilo que você acredita. Outra dica importante da cartilha é que você é igual ao seu namorado em direitos e escolhas e não deve se submeter a ele. 

Dica 4: Mantenha o seu poder de decisão

Segundo a Cartilha #NamoroLegal, a chave da sua vida deve estar sempre no seu próprio bolso. Isso significa que você e apenas você tem o poder de tomar decisões importantes sobre a sua vida. 

Dica 5: Não se afaste das pessoas que se importam com você

Por mais que o namoro pareça incrível, é importante manter por perto aquelas pessoas que sempre estarão ao seu lado, mas que não deixarão de dizer verdades difíceis de serem ouvidas. O mais importante é o equilíbrio entre sua vida pessoal e o namoro. 

Dica 6: Fuja da “montanha russa de emoções”

Oscilar entre momentos muito felizes e muito tristes pode ser um indício de que algo não vai bem. Quando um relacionamento traz muito sofrimento, medo e angústia, ainda que tenha ótimo momentos, é hora de ligar o alerta e observar se aquela pessoa não está te fazendo mal. 

Dica 7: O seu amor não transformará a fera em príncipe

Não há amor capaz de transformar uma fera em príncipe. Por isso, todos os sinais mencionados acima devem ser observados com muita atenção. Mesmo que o namorado peça desculpas, diga que ama e traga presentes, isso não quer dizer que ele mudou. Não é normal ter medo de quem a gente ama. Em caso de dúvida, converse com alguém e procure ajuda!

Referências:

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Cartilha #NamoroLegal, 2019. Disponível em: http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Cartilhas/NamoroLegal.pdf (acesso em 05/07/2019). 

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, 2019. Disponível em: http://www.iff.fiocruz.br/pdf/relatorio-pesquisa-2019-v6.pdf (acesso em 05/07/2019).