Adoecimento psíquico em pós-graduandos/as

Depressão e ansiedade em estudantes

Uma pessoa que entra para a pós-graduação procura investir na própria formação, ampliar seus conhecimentos sobre um determinado tema e a inserção no mercado de trabalho. Contudo, o que muitos/as pós-graduandos/as encontram é pressão, estresse e grande sofrimento. 

Os índices de adoecimento psíquico entre estudantes da pós-graduação é impressionante. Segundo dados de uma pesquisa publicado no ano passado, na revista Nature, os índices de depressão e ansiedade entre mestrandos e doutorandos é seis vezes maior que no restante da população. 

A pesquisa, que ouviu 2.279 estudantes em 26 países, constatou que mais de 40% dos/as entrevistados/as sofria com ansiedade ou depressão. O estudo revelou ainda que as mulheres sofrem mais com essas doenças que os homens e a situação é ainda mais grave entre pessoas transgênero: 57% sofre com depressão e 55% com ansiedade (EVANS et al, 2018). 

Vários fatores podem contribuir para esse quadro, mas a organização do mundo acadêmico, pautada pelas relações de poder, alta produtividade e apoio reduzido aos/às estudantes é uma das principais explicações. Por isso, é muito importante que haja uma mudança na cultura acadêmica. 

Para quem está na pós-graduação, a dica é lembrar que todo esse sofrimento não é normal. Por mais frequente que seja o estresse, a ansiedade e a depressão, não podemos ignorar esses sinais. Converse com seus/suas colegas, veja quais são as possíveis soluções estruturais que podem ser adotadas em seu curso e não deixe de procurar apoio psicológico caso seja necessário!

Fonte: 

Evans, T. M., Bira, L., Gastelum, J. B., Weiss, L. T., & Vanderford, N. L. (2018). Evidence for a mental health crisis in graduate education. Nature Biotechnology, 36(3), 282–284.doi:10.1038/nbt.4089.

Você está num relacionamento abusivo? Dicas da cartilha #NamoroLegal

Relacionamento abusivo

Os relacionamentos abusivos são muito mais comuns do que a gente imagina. Segundo dados da pesquisa Visível e Invisível, publicada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2019, 27% das mulheres brasileiras sofreram algum tipo de violência no ano passado. Entre as mulheres mais jovens, na faixa entre 16 e 24 anos, 42% afirmam ter sofrido algum tipo de violência nos últimos 12 meses. O mais apontado pelas entrevistadas é a ofensa verbal (insulto, humilhação ou xingamento), como 22% dos episódios de violência denunciados pela pesquisa. 

Exatamente por causa desses números alarmantes, o Ministério Público de São Paulo decidiu elaborar uma cartilha, voltada para mulheres jovens, com informações importantes para evitar um relacionamento abusivo. A Cartilha #NamoroLegal traz sete dicas para você identificar se está num relacionamento problemático. 

Dica 1: Confiar na atitude e não em palavras

Pode parecer algo simples, mas muitas vezes as palavras e as atitudes se contradizem. Um namorado que diz coisas românticas e carinhosas pode, ao mesmo tempo, agir de forma violenta, explosiva e autoritária. Nesses casos, as atitudes devem ser levadas em conta, ainda que as palavras digam outra coisa. 

Dica 2: Não abrir mão do seu espaço

A cartilha enfatiza também a importância do próprio espaço, seja ele físico ou emocional. Na prática, isso significa que você não deve abrir mão dos seus amigos e amigas, família, atividades de lazer, estudo ou trabalho por causa de ninguém. Esse espaço é fundamental para que você se mantenha conectada consigo mesma!

Dica 3: Ninguém precisa ser a “namorada ideal”

Listas que elencam os atributos da namorada ideal se baseiam em estereótipos infundados. Por isso, o mais importante é que você se mantenha fiel às suas escolhas e àquilo que você acredita. Outra dica importante da cartilha é que você é igual ao seu namorado em direitos e escolhas e não deve se submeter a ele. 

Dica 4: Mantenha o seu poder de decisão

Segundo a Cartilha #NamoroLegal, a chave da sua vida deve estar sempre no seu próprio bolso. Isso significa que você e apenas você tem o poder de tomar decisões importantes sobre a sua vida. 

Dica 5: Não se afaste das pessoas que se importam com você

Por mais que o namoro pareça incrível, é importante manter por perto aquelas pessoas que sempre estarão ao seu lado, mas que não deixarão de dizer verdades difíceis de serem ouvidas. O mais importante é o equilíbrio entre sua vida pessoal e o namoro. 

Dica 6: Fuja da “montanha russa de emoções”

Oscilar entre momentos muito felizes e muito tristes pode ser um indício de que algo não vai bem. Quando um relacionamento traz muito sofrimento, medo e angústia, ainda que tenha ótimo momentos, é hora de ligar o alerta e observar se aquela pessoa não está te fazendo mal. 

Dica 7: O seu amor não transformará a fera em príncipe

Não há amor capaz de transformar uma fera em príncipe. Por isso, todos os sinais mencionados acima devem ser observados com muita atenção. Mesmo que o namorado peça desculpas, diga que ama e traga presentes, isso não quer dizer que ele mudou. Não é normal ter medo de quem a gente ama. Em caso de dúvida, converse com alguém e procure ajuda!

Referências:

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Cartilha #NamoroLegal, 2019. Disponível em: http://www.mpsp.mp.br/portal/page/portal/Cartilhas/NamoroLegal.pdf (acesso em 05/07/2019). 

FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil, 2019. Disponível em: http://www.iff.fiocruz.br/pdf/relatorio-pesquisa-2019-v6.pdf (acesso em 05/07/2019). 

Ansiedade: quando ela se torna um transtorno?

Ansiedade

Qualquer pessoa já se sentiu ansiosa em algum momento da vida: antes de uma entrevista de emprego, às vésperas de uma grande viagem ou antes de ter uma conversa importante com alguém, para mencionarmos alguns exemplos.

A princípio, o sentimento de ansiedade é absolutamente normal e, mais do que isso, tem um papel importante na preparação para situações de risco. No entanto, a ansiedade pode ser entendida como um transtorno quando ela se torna frequente ou desproporcional em relação às situações cotidianas a serem enfrentadas.

De acordo com especialistas, a ansiedade pode ser definida como um

“estado de humor desagradável, apreensão negativa em relação ao futuro e inquietação desconfortável; inclui manifestações somáticas (cefaleia, dispneia, taquicardia, tremores, vertigem, sudorese, parestesias, náuseas, diarreia etc.) e psíquicas (inquietação interna, insegurança, insônia, irritabilidade, desconforto mental, dificuldade para se concentrar etc.)” (SILVA FILHO; SILVA, 2013, p. 31).

Dessa forma, quando a ansiedade passa a criar dificuldades diárias, bem como sintomas físicos, é muito importante procurar a ajuda de um especialista.

Dicas para controlar a ansiedade

Para controlar a ansiedade em situações específicas, algumas dicas simples podem ajudar bastante:

  1. conversar com um amigo ou familiar sobre a situação que está causando angústia;
  2. sair do ciclo de pensamentos negativos com atividades mais práticas, como lavar a louça ou arrumar uma gaveta;
  3. controlar a respiração, respirando de modo rápido e curto por 4 vezes e mais profundamente 1 vez (repetir essa sequência ao menos 4 vezes);
  4. posicionar uma mão na nuca e outra na testa por cerca de 5 minutos.

FONTES:

SANTA CATARINA.Transtorno de ansiedade generalizada: protocolo clínico. Disponível em: http://www.saude.sc.gov.br/index.php/documentos/atencao-basica/saude-mental/protocolos-da-raps/9217-ansiedade-generalizada/file (acesso em 20/06/2019).

SILVA FILHO, Orli Carvalho da; SILVA, Mariana Pereira da. Transtornos de ansiedade em adolescentes: considerações para pediatria e hebiatria. Adolesc. Saude, Rio de Janeiro, v. 10, supl. 3, p. 31-41, outubro 2013. Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/8411/1/Transtornos%20de%20ansiedade.pdf (acesso em 20/06/2019).

http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/12/ansiedade-que-foge-do-controle-nao-e-normal-e-deve-ser-investigada.html (acesso em 20/06/2019).

Transtorno Dismófico Corporal: precisamos falar sobre essa doença!

O que você vê quando olha no espelho? Para um número significativo de pessoas em todo o mundo, a imagem vista e a realidade podem ser bem diferentes.

O transtorno dismórfico corporal (TDC) é considerado como uma doença e requer cuidados especiais. Para que você entenda melhor, a dismorfia corporal, como também é conhecido, se define por uma percepção alterada da própria imagem. Na prática, isso significa que a pessoa não enxerga o corpo como ele realmente é (ou como a maior parte das pessoas enxerga).

A percepção alterada pode se restringir a partes específicas ou ao corpo inteiro. Além disso, há um componente forte de insatisfação com a auto-imagem. De acordo com pesquisadores, a doença pode ser descrita como uma preocupação persistente com uma suposta deformidade ou ainda como uma preocupação desproporcional com algum defeito na aparência (NASCIMENTO et al, 2010).

Por isso, a pressão estética que caracteriza nossa sociedade, muitas vezes pautada por padrões de beleza completamente irreais, pode contribuir para o desenvolvimento do transtorno.

Estima-se que cerca de 2% da população mundial sofra com o problema, o que corresponde, no Brasil, a 4 milhões de pessoas. A doença é mais frequente entre os jovens, na faixa entre 15 e 20 anos.

Qualquer indício do TDC exige acompanhamento com profissionais de saúde para que seja feito o diagnóstico correto e investigue-se as possibilidades de tratamento!

Fontes:

VIDALE, Giulia. Um transtorno distorce a imagem que você tem do próprio corpo. Veja, 13 de maio de 2016. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/um-transtorno-distorce-a-imagem-que-voce-tem-do-proprio-corpo-poucos-o-conhecem/.

NASCIMENTO, Antônio Leandro et al. Comorbidade entre transtorno dismórfico corporal e transtornos alimentares: uma revisão sistemática. J Bras Psiquiatr. 2010;59(1):65-69. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v59n1/v59n1a10.pdf.

Codependência: conheças os sintomas e possibilidades de tratamento!

Hoje vamos falar um pouquinho sobre a dependência emocional, seus sintomas e principais possibilidades de tratamento.

É normal sentir ansiedade, ciúmes e medo de perder quando estamos nos relacionando com alguém? Será que aquele relacionamento um pouco conturbado já ultrapassou os limites? Como podemos identificar uma relação de codependência ou dependência emocional? Alguns sinais podem ajudar a reconhecer essa condição psicológica, lembrando sempre que todo diagnóstico deve ser feito por um profissional.

O primeiro passo é saber o que é a codependência, também conhecida como dependência emocional. Em termos bem gerais, trata-se de uma condição psicológica, comportamental ou emocional que se caracteriza, como o próprio nome indica, pela dependência excessiva de uma pessoa em relação a outra.

De fato, nenhum ser humano é uma ilha. Desde o nascimento, precisamos do contato com o outro para nos desenvolvermos e, claro, termos uma vida feliz. Assim, segundo o antropólogo Tzevetan Todorov (2014):

“A partir do momento em que passam a viver em sociedade (e isto, em relação ao tempo histórico, quer dizer: sempre), os homens experimentam a necessidade de atrair para si o olhar dos outros (…). Portanto, o outro ocupa uma posição contígua e complementar à minha, e não mais comparável a ela; ele é necessário à minha própria completude” (p. 31).

Contudo, essa relação com o outro pode deixar de ser saudável quando a dependência se torna excessiva. Nesses casos, o sentimento é de que a nossa existência depende inteiramente do outro, muitas vezes a ponto de nos anularmos e abrirmos mão de nossas próprias vontades. Além disso, a necessidade de aprovação, bem como a de controlar o outro também são característicos da codependência e servem de alerta para quem está vivendo um relacionamento desse tipo.

Como identificar a codependência?

Para deixar mais claro, vamos listar os principais sintomas da dependência emocional. Segundo os especialistas Leilanir de Sousa Carvalho e Fauston Negreiros (2011), o indivíduo codependente apresentam características como:

  • Preocupação excessiva;
  • Instabilidade;
  • Impulsividade;
  • Medo;
  • Insegurança;
  • Dificuldade de expressar sentimentos;
  • Incerteza em relação ao futuro;
  • Medo de errar;
  • Culpa;
  • Justificativa para o insucesso;
  • Necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento;
  • Competição e disputa pela razão
  • Oscilação entre afeto, raiva e frustração;
  • Baixa auto-estima;
  • Necessidade em querer mudar o outro e controlá-lo;
  • Ansiedade;
  • Vitimização;
  • Estresse;
  • Indignação;
  • Mágoa;
  • Falta de afeto;
  • Depressão;
  • Abatimento;
  • Mau humor;
  • Decepção;
  • Desespero.

A lista, como você pode notar, é bem extensa, mas não significa que todas as pessoas irão apresentar cada uma dessas características. A presença de várias delas durante um período mais longo pode indicar a necessidade de acompanhamento com um profissional da área de saúde mental para que seja feito o diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado.

Causas e tratamento da dependência emocional

Os casos de codependência podem ser muito diferentes entre si. Por isso, é difícil mencionar causas mais gerais para o problema. As experiências de cada indivíduo podem ser melhor analisadas durante o processo de terapia para que o autoconhecimento possa auxiliar na ruptura com o comportamento nocivo.

Outro detalhe importante é que a codependência pode estar relacionada com outros problemas, tais como estresse, ansiedade e depressão. Dessa forma, o tratamento global, levando em consideração todo o quadro do paciente é o melhor caminho para quem quer viver melhor.

Fontes:

TODOROV, Tzevetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014. CARVALHO, Leilanir de Sousa; NEGREIROS, Fauston. A co-dependência na perspectiva de quem sofre. Bol. psicol,  São Paulo , v. 61, n. 135, p. 139-148, jul. 2011 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432011000200002&lng=pt&nrm=iso> (acesso em  24 de maio 2019).

Fonte da imagem: Photo by Henri Pham on Unsplash