Depressão: como identificar os sintomas?

Depressão

Muitas vezes ouvimos falar sobre depressão, mas não sabemos muito bem como identificar essa doença. Depressão é sinônimo de tristeza? Posso ter uma vida boa e mesmo assim me sentir deprimido/a? Ando desanimado/a, será que eu tenho depressão? Essas são algumas perguntas que podem surgir. Por isso, estamos aproveitando o Setembro Amarelo para falar um pouco mais sobre os sintomas da depressão. 

Os sintomas da depressão

Quem sofre com o transtorno manifesta:

sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir prazer ou alegria. Tudo parece vazio, o mundo é visto sem cores, sem matizes de alegria. Muitos se mostram mais apáticos do que tristes, referindo “sentimento de falta de sentimento”. Julgam-se um peso para os familiares e amigos, invocam a morte como forma de alívio para si e familiares. Fazem avaliação negativa acerca de si mesmo, do mundo e do futuro Percebem as dificuldades como intransponíveis, tendo o desejo de por fim a um estado penoso (MINISTÉRIO DA SAÚDE). 

Além da tristeza e da apatia, a depressão também pode trazer outros sinais, como: 

  • falta de energia
  • sensação de cansaço
  • pensamento lento
  • perda ou aumento do apetite
  • perda da libido
  • sonolência
  • dores
  • mal estar
  • problemas de digestão
  • taquicardia
  • sudorese

Você deve ter notado que os sinais da depressão não são apenas psicológicos ou mentais. Em muitos casos, a doença pode se manifestar de forma física, sendo confundida com outros males. Por isso, o diagnóstico correto é muito importante. 

Estou com alguns desses sintomas. E agora?

Se você se identificou com o quadro descrito acima ou conhece alguém que sofre com esses sintomas, a dica é procurar ajuda profissional. Pode parecer vergonhoso no começo, mas nenhum especialista poderá te julgar por sofrer com a depressão. Converse com um/a psicólogo/a ou médico/a para conhecer as possibilidades de tratamento. A depressão não precisa te acompanhar para sempre!

Fontes:

OPAS/OMS. Folha informativa – Depressão. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5635:folha-informativa-depressao&Itemid=1095 (acesso em 26/09/2019).

 MINISTÉRIO DA SAÚDE. Depressão: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao (acesso em 26/09/2019).


Algumas informações importantes sobre a depressão

Depressão

A depressão é vista atualmente como um dos problemas de saúde mais sérios mundialmente. No Brasil, estima-se que pouco mais de 15% da população sofrerá com a doença em algum momento da vida. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo cerca de 300 milhões de pessoas sofrem com esse transtorno. 

Aproveitando o Setembro Amarelo, é fundamental que se fale mais sobre a depressão. Afinal, nos casos mais sérios e sem o tratamento adequado, a depressão pode levar ao suicídio. Além disso, o estigma social sobre a doença colabora de forma significativa para que as pessoas não busquem auxílio profissional. 

O que é depressão?

De um modo geral, podemos dizer que:

A depressão é um transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e pela perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas (OPAS/OMS).

Assim, é diferente se sentir triste por uma situação específica, como a perda de um emprego ou o término de um relacionamento, e a depressão em si. Para que seja considerado como um caso de depressão, a pessoa precisa apresentar alguns sintomas específicos durante um período maior de tempo. Tristeza, apatia, perda de energia e até mesmo dores físicas podem indicar um caso de depressão.

O estigma da depressão

Há um grande estigma em torno da depressão, ainda que esse quadro esteja mudando nos últimos anos. Para muitas pessoas, a depressão é vista como frescura, ou mesmo como “coisa de maluco”. Por essa razão, metade das pessoas em todo o mundo que sofre com a depressão não procura a ajuda de especialistas. 

É sempre importante lembrar que qualquer pessoa pode sofrer com a depressão, independente da idade, gênero, renda ou nacionalidade. Todos/as nós estamos suscetíveis e devemos reconhecer a depressão como um transtorno para que as medidas de saúde necessárias sejam tomadas. 

O tratamento da depressão

A depressão tem tratamento, mas ele não é único, nem milagroso. O uso de medicamentos pode ser essencial para que a pessoa restabeleça sua rotina e consiga lidar melhor com os sintomas da doença. Contudo, outras medidas são importantes, como a psicoterapia, a prática de exercícios físicos e uma boa alimentação. 

Na suspeita de um caso de depressão, um/a profissional da área de saúde deve ser acionado para que seja feito o diagnóstico. No SUS, vale a pena consultar o Centro de Saúde mais próximo ou um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

 Fontes: 

OPAS/OMS. Depressão: o que você precisa saber. Disponívem em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5372:depressao-o-que-voce-precisa-saber&Itemid=822 (acesso em 26/09/2019). 

OPAS/OMS. Folha informativa – Depressão. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5635:folha-informativa-depressao&Itemid=1095 (acesso em 26/09/2019). 

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Depressão: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao (acesso em 26/09/2019).

Setembro amarelo: o mês da prevenção ao suicídio

Mês de prevenção ao suicídio

Para quem não conhece, a campanha Setembro Amarelo é feita no Brasil desde 2015. A ideia é tornar o mês de setembro num período de debate sobre o tema, chamando a atenção para a depressão e outros distúrbios associados ao grande número de suicídios que ocorrem no nosso país e no mundo. 

No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa comete suicídio. Em nível mundial, cerca de 800 mil pessoas morrem em decorrência do suicídio todos os anos, segundo dados da OMS. Muitas dessas mortes podem ser evitadas com o devido cuidado, sobretudo com o auxílio de tratamento especializado. 

Em consonância com o Setembro Amarelo, faremos uma série de postagens sobre o tema, com o objetivo de levar informações qualitativas ao maior número de pessoas e fortalecer as estratégias de prevenção ao suicídio. Assim, se você tem dúvidas a respeito, entre em contato para que possamos auxiliar da melhor maneira possível. 

A mensagem mais importante do Setembro Amarelo pode ser resumida na seguinte frase: suicídio é coisa séria. A melhor maneira de ajudar alguém em depressão é conduzi-la ao tratamento com profissionais especializados. Um/a psicólogo/a tem formação para auxiliar a pessoa com ideação suicida, de modo a reduzir os riscos envolvidos. 

Outra dica muito importante é o contato do Centro de Valorização da Vida (CVV). Em situações críticas, o atendimento do CVV pode fazer a diferença. Para tanto, basta ligar para o número 188. No site do CVV também é possível encontrar informações: https://www.cvv.org.br

Fontes:

METRO JORNAL. Setembro Amarelo: 5 pontos para falar sério sobre suicídio, 31/08/2019. https://www.metrojornal.com.br/estilo-vida/2019/08/31/setembro-amarelo-falar-sobre-suicidio.html (acesso em 02/09/2019).

CVV. Setembro amarelo: mês da prevenção ao suicídio. https://www.cvv.org.br/blog/setembro-amarelo-mes-de-prevencao-do-suicidio/ (acesso em 02/09/2019). 

Psicólogo ou psiquiatra: quem eu devo procurar?

Psicologia ou Psiquiatria?

Muitas pessoas se confundem quando falamos sobre os profissionais que atuam na saúde mental. Quase sempre, a recomendação é de que se procure um/a psiquiatra e/ou psicólogo/a, porque esses especialistas são capazes de diagnosticar diferentes problemas e, se necessário, indicar outros tratamentos necessários. 

Primeiramente, é preciso entender a diferença entre os dois tipos de profissional. A Psicologia é uma ciência que estuda o comportamento humano e seus processos mentais. Mais que isso, os/as psicólogos/as se interessam pelo que motiva o comportamento humano: o que o sustenta, o que o finaliza e seus processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem e inteligência. Para atuar na área, é necessário ter cursado graduação em Psicologia e os campos de atuação são bem diversos, vão desde escolas até a terapia clínica. 

A Psiquiatria, por sua vez, é uma especialidade da Medicina, voltada para as condições fisiológicas da nossa mente. Isso significa que todo psiquiatra é um médico, com formação mais ampla sobre o corpo humano e suas diferentes condições de saúde. Dessa forma, podemos pensar o/a psiquiatra como um médico de outras áreas. Seu foco serão as doenças e transtornos mentais. Na maior parte das vezes, o tratamento psiquiátrico é feito com a utilização de medicamentos que só podem ser prescritos por um médico. 

Qual profissional pode me ajudar?

Algumas situações mais cotidianas nos ajudam a entender essas diferenças na prática. Uma pessoa que sofre com a depressão, por exemplo, principalmente nos casos mais graves, pode precisar fazer uso de antidepressivo, que deve ser receitado por um médico. Contudo, o mais indicado nesses casos é a combinação do medicamento, que se destinará à redução dos sintomas, com a psicoterapia, que auxiliará com as possíveis causas da depressão. 

Alguém que está insatisfeito com o trabalho ou com um relacionamento não precisa de medicação e pode se beneficiar com a psicoterapia sem necessitar de medicação. No tratamento, caso seja necessário, o/a psicólogo/a poderá encaminhar o paciente ao psiquiatra se perceber que algum sintoma, como insônia, falta de apetite ou ansiedade, por exemplo, que exigem o uso de medicamentos. 

Em resumo, ambas as áreas são capacitadas para lidar com doenças e transtornos mentais, mas têm abordagens diferentes. Na dúvida, vale a pena conversar com um desses profissionais para descobrir qual o caminho mais adequado para a sua situação específica. 

Fontes:

https://saude.ig.com.br/minhasaude/psicologo-psicanalista-ou-psiquiatra/n1237861366532.html

https://www.terra.com.br/noticias/educacao/psicologo-psicanalista-ou-psiquiatra-conheca-as-diferencas,6b4947accc5ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Terapia Psicológica: para que serve? Quando é indicada?

Terapia Psicológica

Muitas pessoas se perguntam sobre a utilidade da psicoterapia. Afinal, há ainda muito preconceito e desinformação em torno desse tipo de tratamento. 

Para que você conheça mais sobre o funcionamento da terapia psicológica, hoje falaremos um pouquinho sobre os objetivos do tratamento e quando ele é indicado, lembrando que qualquer dúvida específica pode ser esclarecidas por DM ou nos comentários!

Objetivos da psicoterapia

Antes de mais nada, é preciso destacar que a maior parte das pessoas pode se beneficiar com a terapia psicológica, porque todos nós temos questões que podem ser melhor elaboradas e compreendidas. Ou seja, terapia não é “coisa de maluco” nem apenas para quem está em profundo sofrimento. 

Assim, podemos dizer que o principal objetivo da terapia psicológica é o autoconhecimento. Por meio desse processo, o paciente se torna capaz de entender melhor a conexão entre seus pensamentos, suas emoções e suas ações. Além disso, a ajuda de um psicólogo pode contribuir significativamente para sua qualidade de vida. 

Por tudo isso, é fundamental ter em mente que procurar um/a psicólogo/a não é errado, nem significa que você está doente. 

Quando a terapia é mais indicada? 

Ainda que todas as pessoas possam se beneficiar com a psicoterapia, existem situações em que o tratamento é fundamental. Veja alguns motivos para procurar a ajuda de um/a profissional:

  1. Luto ou perdas importantes (como separação, ou demissão de um emprego de longa data);
  2. dificuldades de relacionamento em diferentes esferas da vida, seja com a família, amigos/as ou cônjuges;
  3. Depressão;
  4. Estresse;
  5. Insegurança;
  6. Fobias (medos extremos e debilitantes)
  7. Pânico (ansiedade extrema e crises com sintomas físico);
  8. Oscilações de humor rápidas e/ou frequentes;
  9. Transtornos perceptíveis relacionados a diferentes comportamentos; 
  10. Problemas sexuais;
  11. Doenças psicossomáticas, ou seja, causadas por motivações psicológicas; 
  12. Dificuldade de aprendizagem (sobretudo em crianças e adolescentes)
  13. Inabilidade para lidar com mudanças; 
  14. Quando pessoas próximas relatam preocupação. 

Vale ainda salientar que a psicoterapia é um tratamento longo, que requer envolvimento de ambas as partes, abertura e empenho. Não se trata de uma solução mágica para os seus problemas e o/a psicólogo/a não terá respostas rápidas para as suas questões. 

Fontes:

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/educacao/por-que-procurar-um-psicologo/19562
https://rsaude.com.br/videos/materia/psicoterapia-o-que-e-e-para-que-serve/13272

Adoecimento psíquico em pós-graduandos/as

Depressão e ansiedade em estudantes

Uma pessoa que entra para a pós-graduação procura investir na própria formação, ampliar seus conhecimentos sobre um determinado tema e a inserção no mercado de trabalho. Contudo, o que muitos/as pós-graduandos/as encontram é pressão, estresse e grande sofrimento. 

Os índices de adoecimento psíquico entre estudantes da pós-graduação é impressionante. Segundo dados de uma pesquisa publicado no ano passado, na revista Nature, os índices de depressão e ansiedade entre mestrandos e doutorandos é seis vezes maior que no restante da população. 

A pesquisa, que ouviu 2.279 estudantes em 26 países, constatou que mais de 40% dos/as entrevistados/as sofria com ansiedade ou depressão. O estudo revelou ainda que as mulheres sofrem mais com essas doenças que os homens e a situação é ainda mais grave entre pessoas transgênero: 57% sofre com depressão e 55% com ansiedade (EVANS et al, 2018). 

Vários fatores podem contribuir para esse quadro, mas a organização do mundo acadêmico, pautada pelas relações de poder, alta produtividade e apoio reduzido aos/às estudantes é uma das principais explicações. Por isso, é muito importante que haja uma mudança na cultura acadêmica. 

Para quem está na pós-graduação, a dica é lembrar que todo esse sofrimento não é normal. Por mais frequente que seja o estresse, a ansiedade e a depressão, não podemos ignorar esses sinais. Converse com seus/suas colegas, veja quais são as possíveis soluções estruturais que podem ser adotadas em seu curso e não deixe de procurar apoio psicológico caso seja necessário!

Fonte: 

Evans, T. M., Bira, L., Gastelum, J. B., Weiss, L. T., & Vanderford, N. L. (2018). Evidence for a mental health crisis in graduate education. Nature Biotechnology, 36(3), 282–284.doi:10.1038/nbt.4089.

Burnout: entenda a síndrome do esgotamento profissional

Trabalho Excessivo

Se você correr uma maratona, certamente seu corpo sentirá os efeitos físicos de tanto esforço: dor, cansaço, sede, tremores, dentre outros sinais. O que muita gente ignora, no entanto, é o esforço mental também acarreta sintomas físicos muito semelhantes e que merecem nossa atenção. 

Hoje, vamos falar um pouquinho sobre a Síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional. Segundo o site do Ministério da Saúde: 

A Síndrome de Burnout é um estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes e/ou estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, especialmente nas áreas de educação e saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE).

Desse modo, profissionais que estão constantemente submetidos a situações de pressão, como policiais, professores e médicos costumam ser as principais vítimas da síndrome. Também é comum que estudantes sofram com os sintomas do burnout, sobretudo aqueles que vão se submeter a grandes testes, como o ENEM e o vestibular. 

Sintomas da Síndrome do Esgotamento Profissional:

Uma pessoa que sofra de exaustão e esgotamento pode apresentar diferentes sintomas. Alguns deles são:

  • Cansaço
  • Dificuldade para dormir
  • Dores musculares
  • Dores de cabeça
  • Dores de estômago
  • Problemas de concentração
  • Taquicardia
  • Pressão alta
  • Mudanças no apetite
  • Pensamentos negativos e derrotistas
  • Insegurança
  • Oscilações no humor
  • Tristeza

Tratamento do Burnout

Você pode notar que a Síndrome tem sintomas semelhantes ao de outras doenças, como a ansiedade. Isso porque, em casos extremos, a Síndrome de Burnout pode levar a um quadro de ansiedade e depressão profunda. Por essa razão, é fundamental contar com a ajuda de profissionais. O tratamento é pautado na psicoterapia e, quando necessário, em medicamentos como ansiolíticos e antidepressivos. O mais importante é saber que esses sintomas não são normais. Converse com seus familiares e procure ajuda!

Fontes:

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Síndrome de Burnout: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção. Disponível em: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/saude-mental/sindrome-de-burnout (acesso em 13/07/2019).

Codependência: conheças os sintomas e possibilidades de tratamento!

Hoje vamos falar um pouquinho sobre a dependência emocional, seus sintomas e principais possibilidades de tratamento.

É normal sentir ansiedade, ciúmes e medo de perder quando estamos nos relacionando com alguém? Será que aquele relacionamento um pouco conturbado já ultrapassou os limites? Como podemos identificar uma relação de codependência ou dependência emocional? Alguns sinais podem ajudar a reconhecer essa condição psicológica, lembrando sempre que todo diagnóstico deve ser feito por um profissional.

O primeiro passo é saber o que é a codependência, também conhecida como dependência emocional. Em termos bem gerais, trata-se de uma condição psicológica, comportamental ou emocional que se caracteriza, como o próprio nome indica, pela dependência excessiva de uma pessoa em relação a outra.

De fato, nenhum ser humano é uma ilha. Desde o nascimento, precisamos do contato com o outro para nos desenvolvermos e, claro, termos uma vida feliz. Assim, segundo o antropólogo Tzevetan Todorov (2014):

“A partir do momento em que passam a viver em sociedade (e isto, em relação ao tempo histórico, quer dizer: sempre), os homens experimentam a necessidade de atrair para si o olhar dos outros (…). Portanto, o outro ocupa uma posição contígua e complementar à minha, e não mais comparável a ela; ele é necessário à minha própria completude” (p. 31).

Contudo, essa relação com o outro pode deixar de ser saudável quando a dependência se torna excessiva. Nesses casos, o sentimento é de que a nossa existência depende inteiramente do outro, muitas vezes a ponto de nos anularmos e abrirmos mão de nossas próprias vontades. Além disso, a necessidade de aprovação, bem como a de controlar o outro também são característicos da codependência e servem de alerta para quem está vivendo um relacionamento desse tipo.

Como identificar a codependência?

Para deixar mais claro, vamos listar os principais sintomas da dependência emocional. Segundo os especialistas Leilanir de Sousa Carvalho e Fauston Negreiros (2011), o indivíduo codependente apresentam características como:

  • Preocupação excessiva;
  • Instabilidade;
  • Impulsividade;
  • Medo;
  • Insegurança;
  • Dificuldade de expressar sentimentos;
  • Incerteza em relação ao futuro;
  • Medo de errar;
  • Culpa;
  • Justificativa para o insucesso;
  • Necessidade de ser útil acompanhada de sofrimento;
  • Competição e disputa pela razão
  • Oscilação entre afeto, raiva e frustração;
  • Baixa auto-estima;
  • Necessidade em querer mudar o outro e controlá-lo;
  • Ansiedade;
  • Vitimização;
  • Estresse;
  • Indignação;
  • Mágoa;
  • Falta de afeto;
  • Depressão;
  • Abatimento;
  • Mau humor;
  • Decepção;
  • Desespero.

A lista, como você pode notar, é bem extensa, mas não significa que todas as pessoas irão apresentar cada uma dessas características. A presença de várias delas durante um período mais longo pode indicar a necessidade de acompanhamento com um profissional da área de saúde mental para que seja feito o diagnóstico e a escolha do tratamento mais adequado.

Causas e tratamento da dependência emocional

Os casos de codependência podem ser muito diferentes entre si. Por isso, é difícil mencionar causas mais gerais para o problema. As experiências de cada indivíduo podem ser melhor analisadas durante o processo de terapia para que o autoconhecimento possa auxiliar na ruptura com o comportamento nocivo.

Outro detalhe importante é que a codependência pode estar relacionada com outros problemas, tais como estresse, ansiedade e depressão. Dessa forma, o tratamento global, levando em consideração todo o quadro do paciente é o melhor caminho para quem quer viver melhor.

Fontes:

TODOROV, Tzevetan. A vida em comum: ensaio de antropologia geral. São Paulo: Editora Unesp, 2014. CARVALHO, Leilanir de Sousa; NEGREIROS, Fauston. A co-dependência na perspectiva de quem sofre. Bol. psicol,  São Paulo , v. 61, n. 135, p. 139-148, jul. 2011 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0006-59432011000200002&lng=pt&nrm=iso> (acesso em  24 de maio 2019).

Fonte da imagem: Photo by Henri Pham on Unsplash